Entrevista com o Enólogo Vicente Garzia da Luigi Bosca.

Publicado: 10 de Julho de 2020

WM: Com iniciou sua carreira no segmento de vinhos?
Vicente Garzia: Iniciei trabalhando em uma pequena vinícola no ano de 1982. Depois fui para uma vinícola muito importante na Argentina, a Bodegas y Viñedos López S.A., onde trabalhei por 19 anos, de 1983 a 2002. Depois, trabalhei em diferentes vinícolas até junho de 2006, quando ingressei na LUIGI BOSCA FAMILIA ARIZU e estou até hoje. No início assumi a linha de produção do segmento La Linda e hoje sou gerente de vinificação da empresa.

WM: Devido a pandemia deste ano gerada pela Covid-19, quais os procedimentos adotados pela vinícola em sua sede e na colheita?
Vicente Garzia:  Uma das primeiras medidas a serem implementadas foi o fechamento da área de turismo, pois o setor recebe muitos turistas internacionais durante o ano inteiro. Em seguida as áreas financeiras e administrativas passaram a trabalhar de suas casas. Somente a área de produção que permaneceu atuando, mas para isso foram instalados todos os protocolos de segurança necessários para garantir a máxima segurança aos colaboradores.

Com a Covid-19 a colheita das castas foi antecipada, mas sem prejudicar o ponto ideal de maturação das uvas, pois em relação ao ano anterior, elas atingiram a maturidade 15 dias antes, nos permitindo essa manobra. Esse efeito se destacou de forma mais intensa na Chardonnay e na Torrontés.
Nas castas tintas o resultado foi bem semelhante pois tivemos um ano bem seco o que permitiu uma boa extração de cor, aromas, álcool e, também, taninos firmes, mas sedosos. Pessoalmente, acredito que as 3 últimas safra 2018, 2019 e 2020 foram os melhores dos últimos 30 anos. 

WM: Quais as novidades da bodega Luigi Bosca?
Vicente Garzia: Sempre estamos buscando inovações, aqui estamos trabalhando intensamente em alguns projetos com a Cabernet Sauvignon e suas melhores expressões. Temos um projeto de vinhos orgânicos o que não é tão difícil de desenvolver visto que a nossa posição geográfica e vários aspectos climatológicos beneficiam nosso domicílio. Uma tendência em nossa filosofia de produção é continuar produzindo vinhos de alta qualidade e, também com aporte gastronômico.


WM: Qual o futuro do mercado argentino de vinhos?
Vicente Garzia: A Argentina está focando cada vez mais no mercado externo e, também, na abertura do gigante asiático. Nossos vinhos estão com preços muito competitivos, além é claro da qualidade. O mercado americano é outro interesse nosso, não apenas o que já foi conquistado, mas também na ampliação das exportações para os Estados Unidos. Quanto ao Brasil as parcerias e a proximidade tornam o comércio mais fluido o que ajuda no crescimento ano após ano.

WM:  E a vitivinicultura argentina, para onde está caminhando?
Vicente Garzia: Difundir a cultura dos nossos vinhos, não somente a Malbec, mas também todas as outras castas que vem ganhando destaque em nosso país. Cada vez mais buscar conhecer os micros terroirs e suas particularidades e definir nossa estratégia de produção. Por final, explorar uma característica que é nossa, vinhedos cultivados em clima totalmente continental e isso com certeza aparece no resultado final de cada garrafa por aqui produzida.



 


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